Vida em Reflexão

No pulsar do coração... No limiar da emoção... No ressoar do pensamento... Viver o momento... Na dúvida o que fazer, dizer o que? No que crer... como pensar... decidir pelo quê? Seja bem-vindo ao Vida em Reflexão.

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Arquivo de: Setembro 2007

28.09.07

Passos da tentação



“Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que atire a primeira pedra” (Jo 8.7). Que declaração bombástica Jesus faz aos escribas e fariseus que desejavam, segundo a lei de Moisés, sentenciar à morte uma mulher adúltera.


Com a queda da humanidade, representada em Adão e Eva, o homem tem seu coração corrompido pelo pecado, levando ao total afastamento de Deus. Assim, todos que não são nascidos de novo estão mortos em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Mas, aquele que entregou sua vida ao Senhor Jesus, o Salvador, foi regenerado. Deus, mediante o Espírito Santo, atua no âmago, no mais profundo interior do homem, tirando-o da condição da morte espiritual para lhe dar vida.


Dessa maneira, a disposição de nosso coração que tendia para o mal converte-se ao Senhor.


Não obstante, após a regeneração, ainda caímos muitas vezes em tentação devido a nossa natureza carnal. Veja o que Tiago declara em sua epístola:

“Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. (Tg 1.14-15)

A palavra tentação significa “teste”, “prova”,“provação”.Com isso em mente, gostaria de falar resumidamente sobre quatro fases da tentação:

1. O DESEJO
O desejo em si não é pecado, mesmo porque pode ser qualquer apetite legítimo; um anseio a ajudar o próximo ou progredir na carreira, ou ainda, um desejo negativo; o extremo desejo pelos bens materiais, que é chamado de cobiça.
Assim, a tentação existirá quando algo externo ou interno o atrai, devido ao desejo do próprio coração, pois “cada um é tentando pela sua própria cobiça” (Tg 1.14).
É o próprio Jesus que assevera: “porque de dentro, do coração dos homens é que procedem os maus desígnios...” (Mc 7.21).
Portanto, só somos seduzidos por aquilo que nos atrai... o desejo negativo em si, se controlado, não trará outras conseqüência, porém, quando dado vazão, levará a caminhos tortuosos.

2. A DÚVIDA
Quantas vezes temos certeza de algo, mas quando nos deparamos com a realidade começamos a olhar por outro prisma, ou seja, duvidar. Um tipo de mecanismo de defesa, estudado na psicanálise, é a racionalização, quando “um individuo constrói uma argumentação intelectualmente convincente e aceitável, que justifica os estados “deformados” da consciência” (BOCK, FRUTADO, TEIXERA. Psicologias: uma introdução ao Estudo de Psicologia, Ed. Saraiva, p. 79). Em outras palavras, seria um tipo de mentira racional.
Portanto, a falta de certeza, nas questões relacionadas ao reino, é um forte indício, talvez um passo antes da queda....


Eva sabia que não poderia comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, mas a serpente, representando Satanás, a induz à dúvida: “é certo que não morrereis” (Gn 3.4). Como isso é sutil, mas extremamente perigoso. Quando nosso coração começa a duvidar das coisas de Deus é preciso redobrar a vigilância e pedir orientação para que Ele nos mostre o caminho e a verdade.

3. O ENGANO
Quanto menos se conhece a verdade, aquilo que procede dos oráculos santos de Deus, mais facilmente seremos enganados. O profeta Oséias declara: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento” (Os 4.6).


Veja que o diabo tentou a Jesus quanto este foi levado pelo Espírito ao deserto. O pai das trevas utiliza a própria Palavra para tentar ludibriar o Filho do Homem, mas este vence a tentação recitando três versículos bíblicos no contexto certo.


A tentação em si não é pecado, e sim ceder a ela. Quantas vezes o cristão vai orar e surge pensamentos maus ou bizarros, apenas para distrair ou envergonhar a pessoa. Nesta ora é que precisamos repreender e levar cativos nossos pensamentos a Cristo e saber que muitos deles procedem do pai da mentira.

4. A DESOBEDIÊNCIA
A partir do engano, não existe mais nada, a não ser Deus, que impeça alguém de pecar. Portanto, todas as vezes que descumprimos os mandamentos, estatutos, preceitos e juízos de Deus cairemos em pecado, estaremos dando vazão aos desejos carnais e malignos, desobedecendo ao Senhor.


Por outro lado, o apóstolo Paulo afirma que “não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Co 10.13 – grifo meu). Aleluia! Que coisa maravilhosa é o próprio Deus que nos dá o escape, cabendo a nos resistirmos à tentação.


É importante ter a certeza de que o Senhor não deseja absolutamente que ninguém peque, pelo contrário, somos nós, por nossa própria natureza caída, que desejamos aquilo que não pertence a Deus.


Portanto, precisamos fugir das tentações, resistir ao Diabo, levar cativos nossos pensamentos, conhecer e meditar na Palavra, fortalecer o espírito, vigiar, orar e interceder uns pelos outros. Devemos, por conseguinte, buscar santidade e clamar a Jesus: “não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” (Mt 6.13).

24.09.07

Mudança de eixo



Uma das mais importantes descobertas científicas de todos os tempos se deu em 1543 quando Copérnico propôs, e a ciência reconheceu, que o Sol, e não a Terra, é o centro do nosso sistema. Ponto de partida da astronomia moderna, a proposição de Copérnico foi revolucionária e transformou todas as áreas do conhecimento humano – uma revolução que ficou conhecida como revolução copernicana.


De maneira similar, e igualmente impactante, tudo se transforma quando entregamos nossa vida a Cristo. Nosso eixo “gravitacional” muda radicalmente quando deixa de ter como referência o “eu” para girar em torno de Jesus. Passamos a enxergar o mundo sob um novo prisma e a transformação é visceral, levando ao desejo de servir.


A “revolução crística” é um chamado universal aos discípulos de Cristo, uma expressão de amor e gratidão a Deus. De glória em glória nos vemos transformados à imagem de Cristo (2 Co 3.18) e o doar-se passa a ser uma manifestação genuína de amor, fruto da conversão que implica esquecer um pouco de si para servir ao próximo.

17.09.07

Corrupção: com Cristo não!



Corra para vê...
O acontecimento da tevê.

O político fazer...
A promessa, prometer.

Promessas acompanham...
Os gestos encenam...
Conquistas anunciam...

Tudo ele quer;
Tudo ele é.

Tudo para conquistar...
E o voto lograr!!!

Cena como essa...
A esperança inflama.
Pela mudança...
O desejo alcança.

Alcança a esperança da promessa...
Daquilo que talvez um dia aconteça.
Será?

Quantos depositam suas esperanças nas promessas?
Os brasileiros são sonhadores!!!
Jogam futebol com arte!
Mas não esperam a arte...
Da roubalheira covarde.

Alguns professam, anunciam, chegam a gritar:
PRECISAMOS MUDAR O SISTEMA POLÍTICO
Ditadura, nada muda...
Entra ano... Sai governo... Entra político... Sai partido...
O roubo ajuda...
A proteger a figura!
Então a pergunta:
Como acabar com a roubalheira?

O problema não está no sistema político nem tão pouco no governo e sim nas pessoas. A corrupção tem uma causa: o homem. Paulo afirma: “porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum...” (Rm 7.18 ). Na realidade, o que o Apóstolo afirma aqui é o fruto do pecado. O pecado afasta o homem totalmente de Deus, suas conseqüências são extremamente maléficas.


Calvino declara que o pecado original gerou no homem a depravação total, ou seja, a profundidade, no seu âmago, e a abrangência do pecado sobre toda a humanidade. Isto não significa que os homens sejam totalmente pecaminosos, mas são incapazes de se salvar. Assim, necessariamente é Deus que precisa se revelar ao homem para que haja transformação, regeneração.


Portanto, quando Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor, se revela ao homem há mudança de caráter e valores, ou seja, conversão.
Voltando à questão do roubo, o problema está na natureza carnal do homem, que busca satisfazer seus desejos egoístas totalmente contrários às verdades inefáveis de Deus. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá” (Ezequiel 17.9). Dessa forma, o problema nasce do homem, e não, do sistema propriamente dito.


Por outro lado, se o homem entregar sua vida a Jesus Cristo, o filho de Deus, seu coração de pedra será transformado em coração de carne (Ezequiel 11.19), e seu caráter será transformado passo a passo, à medida que andar com Cristo.


Assim, se o problema do roubo está nas pessoas, então com Jesus os homens buscam fugir das corrupções mundanas. E, como diz o Salmista: “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Sl 33.12).

Visão míope, vida sem propósito



Não existe vida sem emoção, há vida sem paixão, não me refiro aqui necessariamente ao sentimento entre homem e mulher, mas ao viver por algo maior, alguma coisa que transcenda a sua própria existência, sob seu olhar...

Qual é a sua razão de ser? Viver para si, e por si!? Paradoxalmente, quanto mais nos preocupamos conosco maior é o nosso vazio. Enquanto olharmos somente para nós perderemos a nossa identidade, pois na verdade ela é descortinada à medida que enxergamos a Deus e focalizamos no próximo. Sob este binômio, Deus e o próximo, que desvendamos nosso interior.

“São os olhos a lâmpada do corpo”, ensina Jesus. “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas” (Mateus 6.22-23). Antoine de Saint Exupéry, autor do clássico O Pequeno príncipe, declara: “O essencial é invisível aos olhos só se vê bem com o coração”. Ter olhos iluminados é saber enxergar além da superfície, por isso precisa ser olhado sob o prisma do coração, é o que nos ensina a história a seguir, baseada em fatos reais.

A coloboma de íris e retina, mal congênito, levou Silvânia Lucena , na infância, a rapidamente deteriorar sua visão. Por volta dos 10 anos enxergava a vida turva e sem distinção de cores, era como se visse o mundo através de uma cortina de fumaça, apenas vultos e focos de luz iluminavam sua retina com a capacidade corrompida de noventa por cento da visão.

Depois de décadas sem nenhuma perspectiva de cura veio o golpe final: uma catarata avançada obrigaria uma intervenção cirúrgica para colocação de um anel de sustentação no olho, na região do cristalino. O médico, segundo Silvânia, lhe explicou que a medida era para evitar uma deformidade externa no globo ocular, mas que custaria a visão residual. Depois da cirurgia, os lampejos de luz cessariam por definitivo. Em fevereiro de 2003, resignada se submeteu à cirurgia, o que a levou a, durante 22 dias, viver mergulhada na escuridão.

Ainda sob cuidados médicos ao acordar percebeu o balançar da cortina... sem distinguir as cores, por não ter sido ainda apresentada a este universo, foi para a cozinha, quando se deparou com a reprodução do pintor Claude Monet, que ela até então só admirava pelos relatos referentes às suaves pinceladas características do impressionismo. Reconheceu a assinatura no canto do quadro e nesse momento teve certeza: era a visão, da qual se esquecera.

“Foi uma das maiores emoções que já experimentei ver meus filhos e neto com os olhos, e não com a ponta dos dedos”. Contrariando a medicina, reverenciava o céu estrelado, intangível até poucos dias, saía pelas ruas parando em cada cantinho que lhe chamava a atenção. Observava os prédios, árvores... tudo era novo. “Tive insônia durante quase todo o período, pois não conseguia parar de pensar em tudo que tinha vista durante o dia”.

No décimo-oitavo dia de visão, Silvânia sentiu pequenos pontos negros e tontura quando foi com sua mãe ao mercado... em casa, pára para rezar e depois de fechar os olhos sua visão não mais se abriu.

Quatro anos se passaram da iluminadora experiência que a trouxe mais luz ainda, pois, atualmente, trabalha, por amor, como instrutora de artes para deficientes visuais: “Vi tudo o que era suficiente para viver feliz e ajudar o próximo. Tenho medo de voltar a enxergar e desenvolver o egoísmo dos videntes”, relata.

Silvânia perdeu somente a visão no sentido estrito do ver, porém, mais do que nunca, enxerga a vida do jeito que deve ser...

Faça como Silvânia, voluntarie-se num projeto de ajuda ao próximo, seja na sua área de competência ou afinidade, e assim, cure a miopia, veja a vida sob uma nova aurora. Veja e viva!

08.09.07

A prosperidade de Zaqueu

O show-biz sempre fez sucesso... quanto mais dinheiro corre, maior a audiência! O slogan “tudo por dinheiro” tem alcançado cada vez mais adeptos. A mídia “ensina” que para ser feliz basta ter o bolso cheio, assim seus correligionários, à socapa, escondem o dinheiro na cueca... O apresentador grita cada vez mais alto: “quem quer dinheiro?” A modelo insinuante instiga o desejo nos homens: tenha money se quiser me conquistar.

A história nos mostra que dinheiro é sinônimo de poder, por isso, as pessoas se vendem e se matam para obtê-lo.

Mamôn é o deus que cega o entendimento dos homens ávidos por dinheiro, vidrados no prazer que ele pode proporcionar, são insaciavelmente sedentos por mais... sempre mais...

Desta forma, o paradigma do homem ímpio é o sucesso, símbolo da conquista de posses. Precisamos ter para ser, este é o lema deste século. Portanto, se você tem, então, é bem sucedido, independentemente de como conquistou e de outros aspectos. Assim, o sucesso no modelo mundano é medido pelo tamanho da sua conta bancária.

Perceba que esta mentalidade tem “mundanizado” nossas igrejas, pastores e lideres. Muitos esbravejam, em nome de Deus: “você é filho de Deus, logo, merece o melhor”. Se, por um lado é verdade que somos filhos de Deus, a maior dádiva do ser humano, por outro, devemos aceitar o que Ele tem para nós, recusando todos os apelos no sentido de que o que queremos, teremos. Mesmo porque muito daquilo que desejamos não passa de vontades carnais estimuladas pelo estereótipo do mundo. Ou seja, muitas igrejas têm se secularizado.

Mas afinal de contas, o que é ter sucesso? O que é ser próspero? É ter muito dinheiro! De modo algum. Ser próspero é fazer a vontade de Deus, ainda que sejamos impulsionados ao deserto, se estivermos seguindo os passos de Jesus, seremos bem-sucedidos. Sucesso, portanto, à luz das Escrituras, não está relacionado com capital, mas sim, em seguir uma pessoa: Cristo.

Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, era o chefe dos cobradores de impostos, que, por muitas vezes, fazia cobranças a mais para obter lucros indevidos em seu próprio benefício.

Este homem, com um desejo ardente de conhecer a Jesus, sobe num arbusto, porque a multidão O cercara... o Senhor, inesperadamente, chama Zaqueu e o avisa que irá à sua casa. Assim, diante do Mestre da Vida que estava em sua casa Zaqueu reconhece o seu pecado e desabafa: “Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8 – grifo meu). “Então, Jesus lhe disse: Hoje houve salvação nesta casa” (v. 9).


O publicano compreendeu que a verdadeira riqueza é servir a Deus. Perceba que ele doa, voluntariamente, metade de seus bens e restitui quatro vezes os lesados. Deste modo, Zaqueu passou a ter menos dinheiro, mas sem dúvida alguma, tornou-se muito mais próspero.

Diante do exposto, o que significa ser próspero? Qual é sua verdadeira riqueza? Jesus nos ensina que onde estiver nosso coração aí estará nosso tesouro (Mt 6.20).

Zaqueu se tornou mais rico doando metade de sua fortuna, por que, então, buscamos tanto os bens materiais?